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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Foi lançado o regulamento e período de inscrição para 7ª Bienal da UNE

28 de outubro de 2010
7ª Bienal da UNE inicia série de grandes eventos no Rio de Janeiro


Cidade da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 recebe mais de 10 mil estudantes do Brasil e da América Latina entre os dias 18 e 23 de janeiro de 2011; jovens de todas as regiões já organizam caravanas rumo à cidade maravilhosa, saiba como participar e inscrever trabalhos





O maior e mais aguardado festival estudantil da América Latina já tem data, tema e local definidos. Dando início à série de grandes eventos que a cidade do Rio de Janeiro sediará nesta década – incluindo a Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016 - a 7ª Bienal da UNE acontecerá entre os dias 18 a 23 de janeiro de 2011. Os seis dias de evento terão atividades culturais, científicas e esportivas espalhadas por diversos espaços da capital carioca. A principal parte da programação estará concentrada no Aterro do Flamengo, imenso complexo de lazer com projeto paisagístico de Burle Marx, e na Lapa, reduto histórico da boêmia cultural e festiva, marca característica do Rio. (grifo nosso)

São esperadas mais de 10 mil pessoas para o evento, que na sua sétima edição homenageia o samba com o tema“Brasil no estandarte, o samba é meu combate”. Segundo o presidente da UNE, Augusto Chagas, a Bienal será, como sempre, ampla e plural: “É o espaço para o encontro de todas as juventudes em suas mais diversas expressões, um evento com potencialidade de divulgar as produções artísticas e culturais dos estudantes de todas as regiões do Brasil. É, também, o momento da UNE dialogar com outras manifestações, como a ciência, a tecnologia, e o esporte, que terá papel destacado desta vez”, declara. (grifo nosso)


“Brasil no estandarte, o samba é meu combate”

Ao longo de 11 anos, as bienais já pautaram a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do povo brasileiro. A 7ª Bienal representa um amadurecido trajeto em busca dessa compreensão. Nessa edição, a União Nacional dos Estudantes privilegia o samba como elemento icônico da brasilidade, buscando, para além da sua história musical, entender como se apresenta nas dimensões sociais, críticas e estéticas da nação.

Segundo o diretor de Cultura da UNE e coordenador-geral da 7ª Bienal, Fellipe Redó, o festival apresentará um olhar sobre o samba que ultrapassa sua imagem puramente festiva ou carnavalesca. “Nos inspiramos no gênero musical tido como uma marca de trocas sociais, uma possibilidade autêntica de valorização da brasilidade, o estilo de vida, os lugares e os personagens que fazem do samba o seu relato mais íntimo do dia-a-dia e a sua manifestação maior de combate. Muito mais do que música, samba é o jeito de viver, gingar, pensar e decidir”, reflete.

CUCA da UNE celebra 10 anos

A 7ª Bienal celebra também os 10 anos do Circuito Universitário de Cultura e Arte, o CUCA da UNE, uma das mais instigadoras experiências do movimento estudantil que foi inovadora no conceito de formação de uma rede interligada de Pontos de Cultura país afora. O CUCA, criado a partir da 2ª Bienal, em 2001, no Rio de Janeiro, retorna à cidade para comemorar uma década de valorização da produção cultural nacional no interior das universidades, reunir “cuqueiros” de todo o Brasil e propor novas frentes de ações para o próximo período.

13º CONEB da UNE

Como atividade integrada a 7ª Bienal ocorrerá, entre os dias 14 a 17 de janeiro, no Riocentro, o maior centro de convenções da America Latina, o 13º Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE. O CONEB é um dos mais importantes fóruns de deliberação do movimento estudantil e reunirá as principais lideranças dos Diretórios e Centros Acadêmicos de todo o Brasil. O tema em debate “A universidade necessária” vai envolver cerca de 3 mil estudantes em mesas e grupos de discussão para refletir sobre o sentido da universidade nos tempos atuais e a projeção de um novo Brasil a partir da educação.


Como inscrever o seu trabalho na 7ª Bienal
A partir de um qualificado rol de convidados e mesas-redondas, grandes atrações culturais, assim como da transversalidade de linguagens como música, cinema, teatro, arte digital, literatura e artes visuais, a 7ª Bienal da UNE se consolida como o principal instrumento para o mapeamento e difusão da cultura produzida por estudantes de todo o Brasil.
Para inscrever o seu trabalho na áreas de Artes Integradas, Música, Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Literatura, C&T, Mostra CUCA e Atividades Autogestionadas basta ler o regulamento da 7ª Bienal e fazer o cadastro nos links abaixo. As propostas podem ser enviadas até o dia 30/11/2010. O resultado dos selecionados será divulgado no portal www.une.org.br.
Pelo Twitter @bienaldaune, os seguidores poderão acompanhar outras informações. Em breve será lançado também o hotsite da Bienal. Dúvidas poderão ser esclarecidas pelo e-mail bienal@une.org.br.


Faça a inscrição de seu trabalho. Preencha a ficha abaixo de acordo com a área de seu interesse:






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»Siga a UNE no twitter: @_une 
»Siga o presidente da UNE no twitter: @chagas_une

Fonte: www.une.org.br

Leia o manifesto da 7ª Bienal da UNE: “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”

28 de outubro de 2010


“Se o poeta avisou
Que tem fim felicidade
Quero o rastro da passista
Vou na esteira de quem sabe
De quem vira a fantasia
E nos avessos da cidade
Vence sol ou chuva fria
Porque o samba é o combate”



E essa tal felicidade do povo brasileiro? Essa capacidade de transcender sobre o peso que pesa, de se iluminar sobre a dor que dói, de não esmorecer na batalha e fazer carnaval? E esse samba desse povo, que ninguém sabe se é alegre ou se é triste, que se entrega na noite mas se fortalece é no dia após dia, que lava alma de quem dele precisa? E esse país que ainda não raiou? Há quem diga que o samba é seu mal, a expressão preguiçosa de uma gente a quem não cabe muito celebrar nem antes nem depois da quarta-feira de cinzas. Seria o samba um falso remédio, um colírio ludibriante, um engano em compasso de dois por quatro?

Pra cima de mim não! O samba não tem erro e de malandro faz gigante. O samba é o recurso de quem não pode e se sacode, quem levanta, bate a poeira e dá voltas por cima do próprio destino. O samba é de quem sabe. Se viver é uma cruzada, a alegria é o estandarte, tamborim é a fé cega, o tantan a humildade, cavaquinho é luz de cima, o surdão toda vontade de o pandeiro dar o ritmo pra canção virar verdade.

Muito mais do que música, samba é o jeito de viver, gingar, pensar e decidir as coisas nesse pedaço de vastidão da América do Sul. É o traço de brasilidade que agrega toda a cultura nacional em sua complexidade e jogo de cintura. De que é feito o samba perguntam-se desde antropólogos como Hermano Viana o livro “O Mistério do Samba” até roqueiros convertidos como Marcelo Camelo em seu “Samba a Dois”, bem conhecido com o grupo Los Hermanos.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das mais antigas e marcantes instituições da sociedade brasileira, mergulha no universo do samba em sua 7ª Bienal com o tema: “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”. A UNE, em um grandioso evento de oito dias e mais de 60 mil estudantes no Rio de Janeiro, deixa-se provocar e enfrenta a incômoda teoria de que o samba e a felicidade do povo brasileiro são inférteis. A Bienal abandona, corajosamente, o medo de que o Brasil termine em um imenso carnaval, sem prazo para a última batida. Juntos, os estudantes brasileiros mostrarão que ser feliz também é o combate.

Do ponto de vista conceitual e estético, fazer um samba na Bienal é promover um grande desfile da diversidade, baseado no aplauso e no improviso. Uma grande roda de bamba onde se entra o tempo todo em um ticuntum de idéias, tecnologias, saberes e fazeres. A escolha do samba para o evento permite a quebra sincopada das estruturas hierárquicas do conhecimento, dando lugar ao coletivo e à contribuição de cada um e sua caixinha de fósforos. O fascínio um tanto místico que move uma escola na passarela, que leva um país a cantar junto, é replicado, entre a juventude brasileira da Bienal da UNE, em uma onda de motivação e práticas solidárias que se multiplicarão para muito além do evento, porque todo samba é de combate.

A 7ª Bienal representa um amadurecido trajeto em busca dos fundamentos basais da identidade nacional brasileira. Ao longo de 11 anos, as bienais pautaram a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do Brasil. O samba aparece, naturalmente, em meio a esse caminho, sintetizando um pouco de todas essas referências em uma manifestação que tornou-se, praticamente, sinônima de nação. Entendendo o momento histórico de crescimento do protagonismo internacional do Brasil, assim como da sua responsabilidade com a transmissão de valores positivos ao mundo, a Bienal da UNE recorre ao samba em sua dimensão complexa, festiva, crítica e redentora.
Em 2005, o samba de roda baiano foi incluído pela Unesco na lista dos Patrimônios da Humanidade. Em 2007, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil (IPHAN) definiu o samba como Patrimônio Nacional. A partir de um qualificado rol de convidados e mesas-redondas, grandes atrações culturais, assim como da transversalidade de linguagens como música, cinema, teatro, arte digital, literatura e artes visuais, a 7ª Bienal da UNE também consagra o samba como riqueza imaterial da sociedade brasileira, permeável para os mais diversos debates e propostas.

Do ponto de vista histórico e antropológico, a Bienal contribui para um resgate dessa manifestação, desde o século XIX, em cada uma das suas expressões, como a semba africana, a umbigada, o samba de roda, samba de terreiro, samba corrido, samba de gafieira, samba de breque, samba canção e a própria bossa nova ou o pagode. A partir de 1917 e daquele tido como o primeiro samba gravado – “Pelo telefone” de Donga e Mauro de Almeida – o samba passa também a constituir, por si, uma narrativa do desenvolvimento social e político do Brasil nos últimos 100 anos.

Segundo Hermano Viana, recorrendo à imagem de um possível encontro entre os intelectuais Gilberto Freire e Afonso Arinos com o músico Pixinguinha, o samba é alçado a símbolo da "identidade nacional" em um elaborado processo de intermediações sociais entre o povo e as elites. Freire recorta o Brasil de seu tempo, início do século XX, apresentando o mestiço como elemento síntese das coisas nacionais, em busca do viés definidor da autenticidade do país. Nesse momento, a capital do Brasil, o Rio de Janeiro, vivia grande influência da cultura estrangeira, notada nas reformas urbanas de Pereira Passos e no apogeu da "Belle Époque" francesa. Com a nova formação do estado brasileiro, pós revolução de 1930, firmou-se a construção de uma memória de identidade nacional elencando o samba como manifestação "genuinamente brasileira".

O samba da Bienal de 2011, revisitado e resignificado em uma cidade que se ensaia cosmopolita o bastante para receber, em 2014, a final da Copa do Mundo e, em 2016, os jogos olímpicos, é como a procura de um marco referencial da cultura brasileira. Adereçado de possibilidades e conexões como o samba-rock, a drum`n`bossa e as paradinhas do funk na bateria, o samba brasileiro tem grande contribuição a dar a outros povos mundiais. Prezando pelo alcance, a 7ª Bienal da UNE redistribui a nossa cultura, assumindo seus elementos de identidade na alteridade, miscigenação e antropofagismo cultural em direção a um novo grau civilizatório entre povos e nações que faça frente às constantes manifestação de intolerância, racismo e fundamentalismo pelo planeta. Isso vai dar samba.




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Fonte: EstudanteNet