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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

“UNE canta Brasil: 50 anos esta noite”


UNE CANTA BRASIL – Reminiscência que relampeja na cultura brasileira
É com alegria que registro a conquista e realização de um projeto que tem na alma a generosidade da juventude, a riqueza da cultura nacional-popular brasileira, o compromisso com um projeto avançado para o Brasil. Não é só alegria, é emoção mesmo. Deixo a vocês a conversa.com com o Alexandre Santini, dínamo do projeto.
Há cerca de um ano atrás entabulei uma bela conversa com Walter Sorrentino no seu blog, onde conversamos sobre teatro, música,  cultura, política, Gramsci,  assuntos de nosso interesse comum (leia aqui).
O motivo daquela conversa era um projeto – até então apenas uma (boa) idéia no papel – para a criação de um espetáculo teatral que bebesse na fonte de importantes experiências desenvolvidas no teatro brasileiro do século XX como o teatro de revista, as experiências teatrais do CPC da UNE, e o ciclo de espetáculos musicais dos anos 60, que vai desde o Show Opinião (1965) passa pelo ciclo do Teatro de Arena (Arena Conta Zumbi, Tiradentes, Bolívar…) e chega a Roda Viva e Morte e Vida Severina em 1968.  Na conversa falamos também sobre o Rasga Coração, a última peça escrita por Vianninha. Há nesta obra-prima do teatro brasileiro um olhar generoso e lúcido sobre o diálogo entre o velho e o novo, entre as gerações, e de certa forma simbolicamente eu via a mim e ao Walter, naquela conversa trocada por emails, como possíveis personagens daquela trama…
É bom quando o tempo nos permite voltar a falar de um projeto  podendo anunciar conquistas e realizações, e para nós é um prazer constatar que aquele sonho se tornou realidade: o espetáculo musical UNE CANTA BRASIL – 50 ANOS ESTA NOITE teve a sua estréia nacional no dia 21 de janeiro de 2011, durante a 7ª Bienal da UNE, no Rio de Janeiro, para um público de aproximadamente 500 pessoas de todo o Brasil.
Envio abaixo o texto de apresentação do espetáculo acompanhado de ficha técnica. No momento estamos montando uma agenda de circulação nacional do espetáculo a partir do mês de março, e captando recursos para realização de temporadas de 4 semanas em teatros do Rio de Janeiro e São Paulo. Com todas as dificuldades inerentes à uma produção teatral de grande complexidade e baixo orçamento, estamos caminhando otimistas para uma agenda  repleta de apresentações em 2011.
50 ANOS ESTA NOITE
Epígrafe
“Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo como ele de fato foi. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo.” (Walter Benjamin, sobre o conceito de história).
UNE Canta Brasil é um espetáculo de teatro-documentário, um passeio histórico-teatral pela vida social, política e cultural brasileira por cerca de 50 anos do século XX, bebendo na fonte inesgotável da tradição musical do teatro brasileiro.
A presença da música na cena teatral brasileira é riquíssima. Desde o século XIX a partir das revistas e operetas de Artur Azevedo e França Junior, os espetáculos musicais ocupam lugar de destaque na nossa dramaturgia. Compositores como Chiquinha Gonzaga foram lançados e se tornaram populares através do teatro. O teatro de revista das 2 primeiras décadas do século XX deu lastro a uma importante tradição de teatro musical brasileiro, que influenciou por exemplo o formato dos programas que popularizaram o Rádio enquanto veículo de comunicação de massa no Brasil.
O espetáculo se estrutura a partir do universo do cancioneiro popular, propondo uma releitura contemporânea de obras célebres da música brasileira, de Lamartine Babo a Belchior, de Vinícius de Morais a  Guerra Peixe, associados a uma construção dramatúrgica-narrativa que passa em revista os principais acontecimentos históricos e políticos do Brasil e do mundo dos anos 30 aos anos 80, dialogando com os principais fenômenos culturais e de comunicação do século XX.
O Projeto UNE CANTA BRASIL lança as bases para a retomada de uma participação protagonista da União Nacional dos Estudantes na vida cultural brasileira de maneira ativa e criativa. A concepção e realização deste espetáculo dialoga diretamente com a experiência histórica do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, cuja atuação na primeira metade dos anos 60 lançou bases para a modernização e popularização da produção artística brasileira nas artes cênicas, na música e o cinema, influenciando diretamente gerações da vida cultural brasileira desde então.
Em sintonia com o momento histórico, de afirmação de um novo rumo para o desenvolvimento político, social e econômico do país, e da importância crescente que o Brasil e sua cultura assumem no cenário internacional, UNE CANTA BRASIL abre uma possibilidade para que a geração de jovens artistas contemporânea deste momento singular construa uma linguagem artística e cultural mais próxima das características e necessidades do povo brasileiro.
FICHA TÉCNICA
Alexandre Santini
direção e dramaturgia
Ricardo Pavão
direção musical
Aline Arteira
Bárbara Castro
Chico Thiago
Daniel Galvão
Diana Iliescu
Geseni Rosa
Godo
Juliana Alves de Souza
Karla da Silva
Paulo Rafael
Rafaela Prestes
Thiago Pondé
elenco
Bida Nascimento
arranjos e regência
Bruno Coelho
Ives Aworet
Sérgio Meireles
Silas Giron
Tuta
músicos
Alessandra Stropp
direção de imagem
Diana Iliescu
Nathália Pimenta
Vanessa Stropp
produção
Rafael Gomes
câmera e edição
Ligeiro
Antonio Luís
som
Tabatta Martins
luz
Bárbara Castro
assistente de direção
Thiago Pondé
assistente de direção musical
Daniel Figueiredo
assistente de produção
Licko Turle
orientação pedagógica
Francisco Couto
MC Durango Kid
Miguel Campelo
participação especial
Banda Larga
arte gráfica

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bienal da UNE debate "Política Cultural no Brasil"

O público lotou no início da tarde do sábado (22) o Buteco Literário para participar da mesa com a participação do cientista político Emir Sader





Aspectos da cultura e política nacionais foram tratadas por Emir, que encantou a todos com sua inteligência e franqueza durante o debate "Política cultural no Brasil – Esquentai nossos pandeiros e iluminai os terreiros”. 

A disputa eleitoral e os desafios do novo governo também estiveram em pauta, assim como a necessidade de uma cultura transformadora em nosso país. “Conhecimento não basta. É preciso prática”, apontou com lucidez o cientista e pesquisador. 

Temas como o aborto, drogas, educação e cultura de massa também tiveram destaque na discussão. Emir reafirmou a necessidade de que a educação chegue a todos, formando pessoas capazes de discernir. Decidir por si sós, sem interferência e manipulações de governos, sociedade ou da mídia. "A direita considera que o povo é ignorante e por isso vota na esquerda. A esquerda sabe que só ganha com a consciência politica do povo". 

Emir está agora à frente da Casa de Rui Barbosa, importante espaço cultural da capital fluminense, e convidou os participantes a conhecerem a casa, que é parte do Ministério da Cultura. Ele já antecipou que pretende usar o a Casa para promover mais debates que estimulem a reflexão dos visitantes. 

Saiba mais: www.casaruibarbosa.gov.br


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domingo, 30 de janeiro de 2011

Ti Cun Tum: Show da Elza Soares na Lapa é destaque nessa 3ª edição do Jornal da 7ª Bienal da UNE


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Jovens de 14 países convocam, durante a Bienal, o Congresso Latino Americano dos Estudantes (OCLAE) Sendo o maior festival estudantil da América Latina, a Bienal da UNE está reunindo, no Rio de Janeiro, estudantes de muitos outros países interessados em conhecer mais da culturanacional, interagir com a diversidade da juventude brasileira e também organizar a lutado movimento estudantil pelo continente.



Oitenta deles estiveram reunidos, nos dias 18, 19 e 20, no encontro consultivo da Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (oclae). Os debates se encerraram na quinta-feira (20) de manhã, na Arena Central da Bienal - com vistas ao Pão de Açúcar e à Baía de Guanabara. Com muita alegria e integração, os jovens de 14 países aprovaram o documento que define as bases do próximo clae (Congresso Latino Americano e Caribenho dos Estudantes). O encontro acontecerá entre os dias 11 e 15 de agosto em Montevidéu, Uruguai. Na pauta atual do movimento estudantil continental, destacam-se três eixos que devem dar o rumo das discussões no clae: os Direitos Humanos no continente; a luta contra a mercantilização do ensino e o aniversário de 45 anos da entidade maior dos estudantes latino-americanos e caribenhos. Durante os três dias de reunião na Bienal, houve muito debate sobre o formato do Congresso, aprovação do local, da identidade visual e dos detalhes sobre a estrutura do evento. O clima de amizade e união representa bem o momento que vivem, nos últimos anos, os movimentos de juventude latino-americanos, como ressaltou Gabriel Bermutez, representante da Federação Estudantil do Uruguai (feu), que será anfitrião do encontro: “Estamos constituindo, na América Latina, um projeto de unidade entre os jovens, creio que o principal desafio agora é ampliar essa unidade para um projeto de mundo mais justo e solidário”. Ao final das atividades, o Ticuntum conversou também com o presidente da oclae, o estudante cubano Yordanys Charchaval. Ele falou sobre as atividades internacionais da entidade na Bienal da une e sobre seus atuais desafios e propostas.
Qual é a sua avaliação sobre esses três dias de encontroconsultivo para o próximo clae Foi um encontro que evidenciou, principalmente, a maneira de participação de todos os países dentro da oclae. Tivemos aqui 14 países, o que evidencia a intenção e o interesse do movimento estudantil por debater novas ações.

Quais devem ser osprincipais desafios e discussões do clae? Primeiramente, é importante dizer que será um congresso histórico, envolvendo duas datas comemorativas muito importantes, os 45 anos da oclae e os 56 anos do nosso primeiro congresso. O desafio atualmente é levar o movimento estudantil do continente a ampliar seu contato com o movimento sindical, movimento indígena, campesino, sempre em prol das mudanças.


Qual é, atualmente, a abrangência da oclae? Comoampliá-la ainda mais? Hoje nossa organização conta com 23 países e, além disso, temos estreitas relações com outras federações e grupos de outras regiões do mundo, fora do continente americano. Porém, ainda queremos ampliar nosso alcance em alguns países da América Central e nos pequenos países do Caribe. As novas gerações serão responsáveis por isso em nossa região. Os estudantes estão hoje em consonância com os processos sociais e são quem desenvolverá as lutas contra o imperialismo e a exclusão dos povos.


Ti Cun Tum: Beth Carvalho é destaque da abertura da Bienal nessa 2ª edição do Jornal da 7ª Bienal da UNE

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

CULTURATA DO SAMBA E DA SOLIDARIEDADE ENCERRA SÉTIMA BIENAL

Saudade é uma das palavras que existem apenas na língua portuguesa, sendo uma das mais difíceis em ser traduzidas do mundo. A definição de samba também não é simples. Muito mais do que um ritmo musical, uma dança ou uma manifestação cultural brasileira, samba é uma ideia, um jeitinho, um sentimento ou uma forma de combate.
Com saudade e com samba, iluminados pelo colorido do por do sol em Ipanema, oito mil estudantes realizaram a Culturata de encerramento da sétima Bienal da UNE, na tarde desse sábado (22). Delegações de todos os estados, junto a estudantes do próprio Rio e da população local desfilaram em um bloco do posto 9 até o Arpoador, puxados pela energia incessante da bateria do grupo Carmelitas de Santa Teresa.
A Culturata fez jus à proposta da sétima Bienal que, ao eleger o samba como forma de combate, deixou de lado o medo de que o Brasil se transforme em um grande carnaval de festa e lutas, sem prazo para a última batida. Para endossar essa idéia, fizeram sua parte, com muita animação, as alas do Afoxé Dragão do Mar e o Bloco dos Valetes. Ao término da caminhada, os oito mil estudantes aplaudiram o por do sol de Ipanema, deixando que o dia terminasse de forma harmoniosa e marcando uma doce despedida para os jovens que ocuparam o Rio por cinco dias e agora retornam para seus estados.

A tônica da Culturata também foi pela solidariedade, com o lançamento de uma campanha da UNE para apoio às populações atingidas pelas enchentes na região Serrana do Rio de Janeiro. “Viemos mostrar a nossa disposição em ajudar as pessoas que perderam suas casas, que estão fragilizadas ou desalojadas, através da participação dos estudantes”, disse o presidente da UNE Augusto Chagas.  Através do e-mail souvoluntario@une.org.br, os jovens poderão se inscrever para atuarem, de acordo com sua formação específica, no suporte às vitimas e na reconstrução das regiões afetadas nos próximos meses.
BIENAL CHEGA AO FIM
Essa Bienal da UNE foi a que mais integrou-se ao espaço natural e urbano, em um diálogo completamente harmonioso e saudade com a capital carioca. As tendas montadas em diferentes pontos do Aterro do Flamengo, com entrada completamente aberta para a população, fizeram um evento democrático e versátil.
Cinquenta anos depois das experiências do Centro Popular de Cultura (CPC da UNE), que resultaram em obras icônicas da cultura brasileira, a sétima Bienal mostrou que o movimento estudantil está novamente afiado com essa atividade ao receber a inscrição recorde de trabalhos para suas mostras. Os muitos debates nas Arenas montadas e no Buteco Literário revelaram, também, que a UNE está afinada com as principais discussões do campo cultural brasileiro.
No entanto, a Bienal chega aos 12 anos de vida extrapolando definitivamente o viés artístico para ser um grande evento da diversidade da juventude. Exemplo disso foi o sucesso das atividades esportivas na Arena de Praia e na Arena Radical. Foi também uma forma de homenagear a cidade que, nessa década, receberá os dois maiores eventos esportivos do mundo.
Os shows da Bienal, um dos seus pontos fortes em todas as edições, também não deixaram por menos. Totalmente sintonizados com o tema “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”, tiveram a estrela de artistas como Beth Carvalho, que mesmo por pouco tempo. incendiou os estudantes na abertura do evento, e Elza Soares, que protagonizou uma apresentação histórica , com o grupo Farofa Carioca, no dia do padroeiro do Rio de Janeiro.




VEJA OS NUMEROS DA SÉTIMA BIENAL

10 MIL ESTUDANTES

25 SHOWS
15 DEBATES
MAIS DE 40 DEBATEDORES
1101 TRABALHOS INSCRITOS
MAIS DE 100 HORAS DE ATIVIDADES
130 ONIBUS DE TODOS OS ESTADOS BRASILEIROS
10 TIMES DE 10 ESTADOS NO PRIMEIRO CAMPEONATO DE FUTEBOL


Fonte: 7ª Bienal da UNE

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Saiba Sobre a 7ª Bienal da UNE



A coordenação da 7ª Bienal da UNE anunciou nesta terça-feira (30) a prorrogação do prazo para as inscrições de trabalhos nas mostras artísticas do festival. Inicialmente, a data final seria 30 de novembro. Porém, em razão da grande procura e com objetivo de ampliar a diversidade dos trabalhos que irão se apresentar na Bienal, a nova data definida é dia 15/12 (quarta-feira). Os nomes dos selecionados serão divulgados até o dia 20/12 (segunda-feira) no portal www.une.org.br. Haverá também comunicado por e-mail e telefone.

O EstudanteNet explica abaixo todas as formas que existem para participar da Bienal da UNE e, também, do 13º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da UNE.


TRABALHOS SELECIONADOS PARA A 7ª BIENAL


A primeira forma de participar da Bienal da UNE é ter o seu trabalho selecionado para ser apresentado nas mostras artísticas. Caso isso ocorra, não é necessário fazer a inscrição individual (estará automaticamente abonado da taxa de R$ 100). O selecionado será ainda premiado com um pro labore e terá um alojamento específico (os alojamentos são em salas de aulas). A organização da Bienal não se responsabiliza pela alimentação e o translado até o Rio de Janeiro.



Para inscrever o seu trabalho na áreas de Artes Integradas, Música, Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Literatura, C&T, Mostra CUCA e Atividades Autogestionadas basta ler o regulamento da 7ª Bienal e fazer o cadastro nos links abaixo. É fácil e gratuito.

As propostas podem ser enviadas até o dia 15/12/2010. O resultado dos selecionados será divulgado até o dia 20/12/2010 no portal www.une.org.br.



Pelo Twitter @bienaldaune, os interessados poderão acompanhar outras informações. Em breve será lançado também o hotsite da Bienal. Dúvidas poderão ser esclarecidas pelo e-mail bienal@une.org.br.


INSCRIÇÕES INDIVIDUAIS PARA A 7ª BIENAL


Outra forma de participar da Bienal da UNE é simples. Basta fazer a sua inscrição individual. Para isso, é só clicar no link abaixo, preencher o formulário, gerar um boleto bancário e efetuar o pagamento. Esse boleto deve ser guardado e apresentado no dia do evento, quando o participante for fazer o seu credenciamento e retirar o seu crachá. A inscrição individual para a Bienal da UNE dará direito a alojamento e acesso livre a toda a programação.


INSCRIÇÕES PARA O 13º CONEB DA UNE

Como atividade integrada a 7ª Bienal ocorrerá, entre os dias 14 a 17 de janeiro, também no Rio de Janeiro, o 13º Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE. O CONEB é um dos mais importantes fóruns de deliberação do movimento estudantil e reunirá as principais lideranças dos Diretórios e Centros Acadêmicos de todo o Brasil. Com o tema “Nas ruas de hoje, o Brasil do amanhã”, os debates vão envolver cerca de 4 mil estudantes em mesas e grupos de discussão para refletir sobre o sentido da universidade nos tempos atuais e a projeção de um novo Brasil a partir da educação.


Para participar do 13º CONEB é necessário se inscrever da mesma forma como é feito para a Bienal. No momento de preencher o cadastro, o participante pode escolher apenas um dos eventos, ou optar por fazer o pagamento dos dois ao mesmo tempo. Os valores e os benefícios (alojamento e programação) são os mesmo correspondentes à Bienal. A única diferença é que o credenciamento no 13º CONEB dará direito à alimentação (apenas dos dias 14 a 17/01).

Os valores das inscrições da 7ª Bienal e do 13º CONEB da UNE estão discriminados abaixo:


Para fazer sua inscrição online clique aqui



Valor integral de cada evento – R$ 100

Inscrição até 17/12 - R$ 30,00 para cada evento

Inscrição de 18/12 a 31/12 - R$ 40,00 para cada evento

Inscrição de 01/01 a 13/01 - R$ 50,00 para cada evento



* Após o dia 13/01/2011 as inscrições só poderão ser feitas pessoalmente no local.

** Basta selecionar o valor integral de cada evento que automaticamente será gerado um boleto já calculado o desconto de acordo com as datas acima


Fonte: Blog do CUCAdaUNE

EstudanteNet

Sobre a Bienal da UNE

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Leia o manifesto da 7ª Bienal da UNE: “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”

28 de outubro de 2010


“Se o poeta avisou
Que tem fim felicidade
Quero o rastro da passista
Vou na esteira de quem sabe
De quem vira a fantasia
E nos avessos da cidade
Vence sol ou chuva fria
Porque o samba é o combate”



E essa tal felicidade do povo brasileiro? Essa capacidade de transcender sobre o peso que pesa, de se iluminar sobre a dor que dói, de não esmorecer na batalha e fazer carnaval? E esse samba desse povo, que ninguém sabe se é alegre ou se é triste, que se entrega na noite mas se fortalece é no dia após dia, que lava alma de quem dele precisa? E esse país que ainda não raiou? Há quem diga que o samba é seu mal, a expressão preguiçosa de uma gente a quem não cabe muito celebrar nem antes nem depois da quarta-feira de cinzas. Seria o samba um falso remédio, um colírio ludibriante, um engano em compasso de dois por quatro?

Pra cima de mim não! O samba não tem erro e de malandro faz gigante. O samba é o recurso de quem não pode e se sacode, quem levanta, bate a poeira e dá voltas por cima do próprio destino. O samba é de quem sabe. Se viver é uma cruzada, a alegria é o estandarte, tamborim é a fé cega, o tantan a humildade, cavaquinho é luz de cima, o surdão toda vontade de o pandeiro dar o ritmo pra canção virar verdade.

Muito mais do que música, samba é o jeito de viver, gingar, pensar e decidir as coisas nesse pedaço de vastidão da América do Sul. É o traço de brasilidade que agrega toda a cultura nacional em sua complexidade e jogo de cintura. De que é feito o samba perguntam-se desde antropólogos como Hermano Viana o livro “O Mistério do Samba” até roqueiros convertidos como Marcelo Camelo em seu “Samba a Dois”, bem conhecido com o grupo Los Hermanos.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das mais antigas e marcantes instituições da sociedade brasileira, mergulha no universo do samba em sua 7ª Bienal com o tema: “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”. A UNE, em um grandioso evento de oito dias e mais de 60 mil estudantes no Rio de Janeiro, deixa-se provocar e enfrenta a incômoda teoria de que o samba e a felicidade do povo brasileiro são inférteis. A Bienal abandona, corajosamente, o medo de que o Brasil termine em um imenso carnaval, sem prazo para a última batida. Juntos, os estudantes brasileiros mostrarão que ser feliz também é o combate.

Do ponto de vista conceitual e estético, fazer um samba na Bienal é promover um grande desfile da diversidade, baseado no aplauso e no improviso. Uma grande roda de bamba onde se entra o tempo todo em um ticuntum de idéias, tecnologias, saberes e fazeres. A escolha do samba para o evento permite a quebra sincopada das estruturas hierárquicas do conhecimento, dando lugar ao coletivo e à contribuição de cada um e sua caixinha de fósforos. O fascínio um tanto místico que move uma escola na passarela, que leva um país a cantar junto, é replicado, entre a juventude brasileira da Bienal da UNE, em uma onda de motivação e práticas solidárias que se multiplicarão para muito além do evento, porque todo samba é de combate.

A 7ª Bienal representa um amadurecido trajeto em busca dos fundamentos basais da identidade nacional brasileira. Ao longo de 11 anos, as bienais pautaram a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do Brasil. O samba aparece, naturalmente, em meio a esse caminho, sintetizando um pouco de todas essas referências em uma manifestação que tornou-se, praticamente, sinônima de nação. Entendendo o momento histórico de crescimento do protagonismo internacional do Brasil, assim como da sua responsabilidade com a transmissão de valores positivos ao mundo, a Bienal da UNE recorre ao samba em sua dimensão complexa, festiva, crítica e redentora.
Em 2005, o samba de roda baiano foi incluído pela Unesco na lista dos Patrimônios da Humanidade. Em 2007, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil (IPHAN) definiu o samba como Patrimônio Nacional. A partir de um qualificado rol de convidados e mesas-redondas, grandes atrações culturais, assim como da transversalidade de linguagens como música, cinema, teatro, arte digital, literatura e artes visuais, a 7ª Bienal da UNE também consagra o samba como riqueza imaterial da sociedade brasileira, permeável para os mais diversos debates e propostas.

Do ponto de vista histórico e antropológico, a Bienal contribui para um resgate dessa manifestação, desde o século XIX, em cada uma das suas expressões, como a semba africana, a umbigada, o samba de roda, samba de terreiro, samba corrido, samba de gafieira, samba de breque, samba canção e a própria bossa nova ou o pagode. A partir de 1917 e daquele tido como o primeiro samba gravado – “Pelo telefone” de Donga e Mauro de Almeida – o samba passa também a constituir, por si, uma narrativa do desenvolvimento social e político do Brasil nos últimos 100 anos.

Segundo Hermano Viana, recorrendo à imagem de um possível encontro entre os intelectuais Gilberto Freire e Afonso Arinos com o músico Pixinguinha, o samba é alçado a símbolo da "identidade nacional" em um elaborado processo de intermediações sociais entre o povo e as elites. Freire recorta o Brasil de seu tempo, início do século XX, apresentando o mestiço como elemento síntese das coisas nacionais, em busca do viés definidor da autenticidade do país. Nesse momento, a capital do Brasil, o Rio de Janeiro, vivia grande influência da cultura estrangeira, notada nas reformas urbanas de Pereira Passos e no apogeu da "Belle Époque" francesa. Com a nova formação do estado brasileiro, pós revolução de 1930, firmou-se a construção de uma memória de identidade nacional elencando o samba como manifestação "genuinamente brasileira".

O samba da Bienal de 2011, revisitado e resignificado em uma cidade que se ensaia cosmopolita o bastante para receber, em 2014, a final da Copa do Mundo e, em 2016, os jogos olímpicos, é como a procura de um marco referencial da cultura brasileira. Adereçado de possibilidades e conexões como o samba-rock, a drum`n`bossa e as paradinhas do funk na bateria, o samba brasileiro tem grande contribuição a dar a outros povos mundiais. Prezando pelo alcance, a 7ª Bienal da UNE redistribui a nossa cultura, assumindo seus elementos de identidade na alteridade, miscigenação e antropofagismo cultural em direção a um novo grau civilizatório entre povos e nações que faça frente às constantes manifestação de intolerância, racismo e fundamentalismo pelo planeta. Isso vai dar samba.




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Fonte: EstudanteNet